Nada é 100% bom, nada é 100% ruim.
Para todo benefício há um porém, em tudo na vida, até hoje, não conheci nada que fugisse a essa regra.
Nossa humanidade sofreu grandes calamidades, naturais ou impostas por líderes (?) opressores. Mas resistimos a tudo!
Sempre que uma pequena minoria domina uma grande maioria, isso se faz pela administração do “pavor”, a minoria acaba cedendo ante a pressão do incontentamento da maioria.
De alguma forma (positiva), a parte mais fraca se mobiliza e interrompe seu sofrimento. O problema é que em muitas das vezes, o salvador se torna o novo opressor.
Somos escravos, sempre alguém decide por nós o que é (supostamente) melhor para nós.
O que me assusta, é o fato de que demoramos muito a nos rebelar, a buscar mudanças, e quando conseguimos, pouco tempo depois, nos esquecemos de que deve haver manutenção dessa condição obtida, é quando “baixamos nossa guarda”.
Importamos coisas de que não precisamos, de heróis a cintas delineadoras de corpo, tudo de forma lasciva.
Por vezes, nos esquecemos do que realmente é importante, de nossas bases, de nossos reais valores, de nossa cultura.
Somos empreendedores, somos criativos, possuímos uma incrível capacidade de adaptação, somos alegres, e somos sim, muito inteligentes, que ninguém duvide.
Constantemente importamos soluções prontas, criadas para situações e entidades diferentes das nossas. O pior é que aceitamos e alardeamos como soluções definitivas, e nos esquecemos do bom e velho remédio caseiro.
Como disse no início, nada é 100% bom e nada é 100% ruim.
Acredito que tudo é possível, só depende de avaliações e adequações, além de uso moderado.
Reclamamos das “facetas políticas”, mas, pouco fazemos para mudar, muitas vezes voltamos a eleger aqueles que já nos deram provas negativas.
Devemos deixar de nos comportar como “gado”, a boiada pode estar seguindo para o matadouro. Devemos parar de achar que “ a galinha do vizinho é mais gorda”.
Diversos estudos mostram que a multidão é burra, o indivíduo é inteligente. Que o grupo tende a não tomar decisão no nível individual, relegando para outrem, seja para infligir dor, seja para salvar uma vida. E também, que em situações de extremo estresse, nossos instintos calam nossa razão e emoção, então, o resultado dependerá de nossa essência.
Não devemos esperar que o limite seja atingido, devemos buscar nosso crescimento, mas precisamos também, fortalecer os “pequenos”, os menos providos. É possível que todos tenhamos sucesso, ninguém tem que perder nesse jogo.
Podemos e devemos acreditar em nossa capacidade, podemos incorporar partes de outras culturas (fizemos isso no passado), desenvolver soluções próprias e mais adequadas à nossa realidade.
Temos muito que aprender, mas também temos muito a ensinar.
Não somos 100% bons, mas, também não somos 100% ruins.
Carlos R. Gomes
Fev/2010.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O autoritarismo, a autoridade e a liderança
O autoritarismo, a autoridade e a liderança:
- Autoridade como Poder Legítimo
De acordo com Norberto Bobbio, filósofo e historiador (1909-2004), a segunda e mais comum definição de Autoridade considera que nem todo o poder estabilizado é Autoridade, mas somente aquele em que a disposição de obedecer de forma incondicional se baseia na crença da legitimidade do poder. Ou seja, o poder da Autoridade é considerado legitimo por parte dos indivíduos ou grupos que participam da mesma relação de poder. Sob esta ótica, a Autoridade tem o direito de mandar e os subordinados o dever de cumprir com as diretrizes proferidas pela Autoridade, portanto, na Autoridade é a aceitação do poder como legítimo que produz a atitude mais ou menos estável no tempo para a obediência incondicional às diretrizes que provêm de uma determinada fonte.
Obediência torna-se durável mas não permanente pois de tempos em tempos a legitimidade do poder desta autoridade sofre a necessidade de ser reafirmada.
A exacerbação da Autoridade cria os Autoritários. A pessoa que manda, deve construir a sua autoridade durante o tempo que está a frente de um grupo ou exercendo um cargo que lhe permite ter pessoas subordinadas, para que possa vir a ser referência para os outros, pelo seu modo de ser e de agir. O abuso de autoridade acontece quando alguém, com poder de mando, faz uso de critérios particulares para fazer valer a sua vontade.
O autoritarismo, prática do autoritarista, surge quando o caos, a desorganização se instala, pois, apenas em um ambiente de desorientação de um grupo de indivíduos é propício ao surgimento de tal personalidade. Diante de uma autoridade fraca, inepta, ou mesmo pela ausência de autoridade, se inicia o caos, a desorientação, que não encontrando líderes natos e legítimos, permitirá a instalação do autoritarismo.
As pessoas precisam se sentir seguras, motivadas, reconhecidas em suas singularidades e de razoável conforto. Um grupo de pessoas irá alimentar estes anseios e acrescentará o sentido de união, onde o indivíduo é importante, mas o grupo não pode ser esquecido.
A liderança só pode surgir dentre um grupo que tenha singularidades, pessoas afins, com os mesmos objetivos, mesmas obrigações, mesmos anseios. O líder surgira por suas ações, suas convicções e suas atitudes. A ação organizada e lógica, aceita pelo grupo, ou pela maioria dos indivíduos do grupo, fará com que o indivíduo seja visto e aceito como líder. Se tornará líder aquele que, além de compartilhar os mesmos sentimentos, parta para a ação, sem ação não há liderança, não haverá líder, apenas conselheiro.
A liderança não é uma aptidão nata, pode ser desenvolvida e aperfeiçoada, mas jamais sem uma forte e controlada dose de empatia.
Um autoritarista poderá ter autoridade notória, mas, poderá também, ser aquele que deseja ser autoridade, poderá ter sido um líder, não mais o é e não mais o será.
Uma autoridade pode ter sido um líder, pode se tornar um autoritarista (o que é ruim) ou poderá vir a se tornar um líder (o que é bom).
O verdadeiro líder não pode ser autoritário, mas pode ser uma autoridade.
O líder não precisa ser autoridade, mas a autoridade precisa ser líder, se não o for, uma aliança bem sucedida trará enormes benefícios para todo o grupo e todos os grupos de dependência comum.
“O forte rei faz forte a fraca gente”. Luiz Vaz de Camões.
Por Carlos R. Gomes
janeiro de 2010
- Autoridade como Poder Legítimo
De acordo com Norberto Bobbio, filósofo e historiador (1909-2004), a segunda e mais comum definição de Autoridade considera que nem todo o poder estabilizado é Autoridade, mas somente aquele em que a disposição de obedecer de forma incondicional se baseia na crença da legitimidade do poder. Ou seja, o poder da Autoridade é considerado legitimo por parte dos indivíduos ou grupos que participam da mesma relação de poder. Sob esta ótica, a Autoridade tem o direito de mandar e os subordinados o dever de cumprir com as diretrizes proferidas pela Autoridade, portanto, na Autoridade é a aceitação do poder como legítimo que produz a atitude mais ou menos estável no tempo para a obediência incondicional às diretrizes que provêm de uma determinada fonte.
Obediência torna-se durável mas não permanente pois de tempos em tempos a legitimidade do poder desta autoridade sofre a necessidade de ser reafirmada.
A exacerbação da Autoridade cria os Autoritários. A pessoa que manda, deve construir a sua autoridade durante o tempo que está a frente de um grupo ou exercendo um cargo que lhe permite ter pessoas subordinadas, para que possa vir a ser referência para os outros, pelo seu modo de ser e de agir. O abuso de autoridade acontece quando alguém, com poder de mando, faz uso de critérios particulares para fazer valer a sua vontade.
O autoritarismo, prática do autoritarista, surge quando o caos, a desorganização se instala, pois, apenas em um ambiente de desorientação de um grupo de indivíduos é propício ao surgimento de tal personalidade. Diante de uma autoridade fraca, inepta, ou mesmo pela ausência de autoridade, se inicia o caos, a desorientação, que não encontrando líderes natos e legítimos, permitirá a instalação do autoritarismo.
As pessoas precisam se sentir seguras, motivadas, reconhecidas em suas singularidades e de razoável conforto. Um grupo de pessoas irá alimentar estes anseios e acrescentará o sentido de união, onde o indivíduo é importante, mas o grupo não pode ser esquecido.
A liderança só pode surgir dentre um grupo que tenha singularidades, pessoas afins, com os mesmos objetivos, mesmas obrigações, mesmos anseios. O líder surgira por suas ações, suas convicções e suas atitudes. A ação organizada e lógica, aceita pelo grupo, ou pela maioria dos indivíduos do grupo, fará com que o indivíduo seja visto e aceito como líder. Se tornará líder aquele que, além de compartilhar os mesmos sentimentos, parta para a ação, sem ação não há liderança, não haverá líder, apenas conselheiro.
A liderança não é uma aptidão nata, pode ser desenvolvida e aperfeiçoada, mas jamais sem uma forte e controlada dose de empatia.
Um autoritarista poderá ter autoridade notória, mas, poderá também, ser aquele que deseja ser autoridade, poderá ter sido um líder, não mais o é e não mais o será.
Uma autoridade pode ter sido um líder, pode se tornar um autoritarista (o que é ruim) ou poderá vir a se tornar um líder (o que é bom).
O verdadeiro líder não pode ser autoritário, mas pode ser uma autoridade.
O líder não precisa ser autoridade, mas a autoridade precisa ser líder, se não o for, uma aliança bem sucedida trará enormes benefícios para todo o grupo e todos os grupos de dependência comum.
“O forte rei faz forte a fraca gente”. Luiz Vaz de Camões.
Por Carlos R. Gomes
janeiro de 2010
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