terça-feira, 14 de julho de 2009

O processo entropico nas empresas - uma crônica da medicina empresarial - última parte

Parte 5
A retomada das conversas deveria ser mais serena, caberia a mim a retomada das discussões, ponderando, coordenando, fazendo aparas. E assim foi.
Terminadas as acusações, levantamentos de pontos em comum seria a minha deixa.
- Podemos dizer sem medo de errar que a junção das três energias presentes, resultou em uma empresa com potencial enorme para o sucesso. Cada sócio dominava uma área da empresa, todos com experiência em planejar, executar, avaliar, discutir e reavaliar antes de seguir em frente. Um ponto muito positivo.
- A introdução de um novo produto, normalmente é um forte sinal de amadurecimento e empreendedorismo, porém, não obteve unanimidade. Jamais devemos adotar a postura do “não concordo, vai dar errado, mas se assim o querem...”
- A introdução de um novo produto precisa ser bastante discutida, ponderadas todas as possibilidades, o ideal seria encomendar uma pesquisa de mercado. Tal pesquisa poderia ter sido caseira, se ainda restasse dúvidas, talvez valeria a pena contratar uma empresa especializada.
- Devemos sempre acreditar em nossos “insides”, mas também precisamos ser auto-críticos, mas, o mais importante, saber ouvir críticas.
- Igualmente importante é saber fazer críticas, criticar por criticar é sempre iniciar um embate.
- Aprende-se muito com os erros alheios, mas devemos estar atentos para aprendermos também com os nossos erros.
- O lançamento desse novo produto teve um início equivocado, não apenas pela falta da ampla discussão, mas acima de tudo, pela falta de planejamento, e um terceiro pecado, não se buscou o engajamento dos colaboradores, os que controlam, os que produzem e os que vendem.
- A empresa é quem mais está sofrendo, uma divisão interna, uma baixa no quadro de colaboradores, e uma sangria nos caixas.
- O passo seguinte deve ser o de corrigir, a área de vendas deve certificar-se da viabilidade do produto no mercado quanto a sua aceitação, sua apresentação, forma de distribuição e seu preço ideal, a área de produção deve avaliar a aquisição de matérias primas e possíveis reaproveitamentos, produção e estocagem, a área financeira deve quantificar, apurar custos totais de fabricação e de distribuição, bem como os custos comerciais e os impostos, apurar o preço de venda e analisar a lucratividade, e o bom senso de todos deve decidir pela continuidade ou não.
- A demissão do supervisor de vendas deve ser revista, pois há sinais de ressentimentos internos por sua demissão, uma vez que o mesmo sempre apresentou dedicação e disponibilidades para com todos. O motivo de sua demissão não se prendeu ao fato de ser incompetente, mas pela falta de resultados substanciais aparentes. Sim, aparentes. O lançamento de um novo produto, algumas vezes provoca mudanças de comportamentos, mais ainda, carecia de um novo nicho de mercado, com novos clientes e possivelmente, novas praças. O resultado dificilmente vem da noite para o dia.
Tendo todos concordado, percebia-se um alívio em todos e uma certeza, sairiam mais fortalecidos, o mal estar estava superado. Uma sensação de leveza e alegria reinava no ar, a vontade de continuar e de dar certo se estampava em cada um daqueles rostos. O alívio, a alegria e a energia daqueles três mosqueteiros novamente reunidos, certamente transbordavam, e de tal forma, que não apenas a sala, mas toda a empresa seria invadida por aquela energia positiva.
Posso estar enganado, mas, aquela energia positiva era tão intensa, estava tão maximizada, que por si só, neutralizaria qualquer energia negativa entre os colaboradores.
Senti-me imensamente satisfeito, não por ter comprovado minha eficácia, mas, sinceramente pela certeza que aquela jovem empresa, seguindo algumas mudanças de hábitos, seguir a prescrição, e com alguns exercícios de conversar e ouvir atentamente, certamente sairia do processo entrópico, e sem medo de errar, posso dizer que terá muitos anos de vida, tomara nunca envelheça, apenas ganhe mais anos e anos de experiência.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O processo entrópico nas empresas - uma crônica da medicina empresarial - 4a. parte

Parte 4
Estava combinado com os donos da empresa que minha visita poderia durar o dia todo. Eu tentaria levantar o maior número possível de informações que pudessem me mostrar qual ou quais eram os problemas daquela jovem empresa. Eu não poderia ter pressa, mesmo sob pressão, eu deveria levantar todas as informações relevantes, antes de dar um diagnóstico e receitar um remédio, que com toda a certeza, não seria doce nem de baixo custo, pois remédio algum, independente do seu preço, tem um baixo custo.
Iríamos começar, obviamente, pela entrevista com os proprietários. Eu já possuía um questionário mental, mas deveria tomar cuidado. Deixar que eles falassem mais do que eu, se possível, um de cada vez, e depois todos juntos. Isso serve para evidenciar se há desentendimentos entre os sócios, o quão estão coesos, bem como, o quão cada um conhece a própria empresa.
Conversei com cada um em separado, fiz alguns levantamentos, a radiografia estava pronta. Algumas de minhas suspeitas tinham se confirmado, mas era preciso seguir com os exames, não deixar nada de fora. Não correr o risco de atacar um mal central, e esquecer ou deixar de lado, desconsiderar o mal periférico, que como um câncer instalado, tende a progredir, em aceleração constante. Existia até mesmo a possibilidade de o mal central, ter desencadeado por todo o restante do corpo seus malefícios, afinal, todos os funcionários são atentos ao que acontece na alta administração, muitos poderiam ter se contaminado. Eu tinha que me certificar.
O passo seguinte era conversar com todos juntos, fazer mais algumas perguntas, repetir outras, e ouvir, ouvir atentamente, inclusive, fazer a leitura da linguagem não verbal, muito importante, algumas vezes, mais importante que a linguagem verbal.
Passados mais de trinta minutos naquela conversa, se é que após os primeiros cinco minutos continuou como conversa, os ânimos estavam exaltados. Sugeri uma pausa para um café, o que todos concordaram. Era bastante útil aquela pausa, permitiria a todos entender o que estava acontecendo, refletir melhor sobre seu ponto de vista e avaliar as opiniões contrárias. Eu sabia exatamente o que fazer.
Desnecessário dizer que aquela pausa, que deveria ser breve, durou mais de quinze minutos. Posso dizer com certeza que não demorou, levou o tempo necessário para a retomada das conversas.
Pude prever que entre três sócios, quais voltariam da pausa juntos, mais unidos, e com uma decisão em mente. A mim competia rapidamente avaliar as possibilidades e prever seus reflexos. Se a empresa, após aquela reunião, estaria fortalecida, mais enfraquecida, ou pronta para uma dissolução, o que não seria bom para ninguém. Não havia como ser diferente, eu já estava envolvido totalmente com aquela jovem empresa. Foi quando me lembrei de um dos meus princípios: “A empresa é mais importante que seus proprietários, e até mesmo, que seus colaboradores. Se a empresa for bem, os sócios irão bem, os funcionários irão bem.”

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O processo entrópico nas empresas - uma crônica da medicina empresarial - 3a. parte

Parte 3
Ao chegar em casa, beijei minha esposa e abracei meus filhos, era muito bom poder estar com eles mais uma vez.
Após tomar um bom banho, senti-me renovado, pus-me à função de marido e pai.
Verifiquei as mensagens em minha caixa postal digital, li algumas notícias, atestei que a imagem do Brasil é melhor lá fora do que aqui dentro, me descontraí um pouco rindo com algumas mensagens engraçadas e vídeos que me mandam por email, folheei algumas páginas de uma revista técnica da minha área. Já estava ficando tarde para eu levar minha filha caçula para a escola.
Tomamos um café, enquanto minha filha do meio reclamava do uniforme da escola. Isso era bastante normal, na idade dela existem mais queixas que agradecimentos, maior entrosamento com as amigas do que em casa. Uma fase que passa, ficam só algumas lembranças.
Meu filho não quis me esperar, terminou seu café e saiu bastante apressado. Lembrei rindo de uma frase: “Aonde querem ir os jovens com tanta pressa. E por que precisam do carro do pai?”. Talvez logo, logo, meu filho irá pedir o carro emprestado.
Minha esposa ainda não tinha sequer iniciado seu café, não parava um instante, serve um, serve outro. Como ela conseguia isso, qual a receita, acho que a cada piscada minha, ela se multiplicava por dez para dar conta de tantos afazeres. O mais gostoso era, quando nossos olhares se cruzavam, ela ainda conseguia me dar um sorriso.
Por fim, tomei a mochila da minha filhinha, no instante em que a do meio saía pela porta, mal se despedindo. Tomei o caminho da escola, segurando a minha filhinha pela mão, sua mochila na outra.
Conversávamos pelo caminho, bem, quero dizer, minha filhinha conversava comigo, sim, como fala! Eu mal terminava de dar uma resposta e lá vinha outra pergunta, se eu perguntava o nome da coleguinha do assunto, ela já estava falando de outra amiguinha. Percebi então, que não era uma tarefa fácil acompanhar os meus três filhos, tão iguais e tão diferentes!
Pude perceber com tamanha clareza, como eu sou feliz! Amo o meu trabalho. Amo minha esposa e meus três filhos, não importa que eles se critiquem e nos critiquem, somos uma família, com erros e acertos, cada qual com uma preferência diferente do outro. Somos uma família!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O processo entrópico nas empresas - uma crônica da medicina empresarial - parte 2

Parte 2
A caminho de casa, não deixava de pensar naquela jovem empresa, muitas lembranças me vieram à memória.
Comecei a repassar todos os casos que tinha presenciado ou tomado conhecimento, com a certeza de que poderia recuperar aquela empresa, colocá-la no caminho do crescimento sustentado, mas um pensamento me congelou a alma, “e se a entropia estivesse muito mais avançada que eu imaginei, e se os proprietários daquela jovem empresa fossem a causa do problema, e se....”. Entendi que não deveria me antecipar aos fatos, somente depois de minuciosos exames seria possível uma diagnose precisa, uma boa conversa com os principais colaboradores deveria ajudar muito.
Tentar me antecipar aos fatos, além de perigoso, poderia apenas me turvar a mente, sim, sem os exames adequados, corria o risco de tirar conclusões precipitadas, de ir visitar a empresa com pré conceitos, identificar uma possível causa e acreditar que ali estava toda a verdade. O ideal seria estudar com calma, analisar, avaliar, pesquisar, analisar e buscar uma solução, mas sempre, avaliando todas as possibilidades. Procurar ter certeza sobre qual seria o centro dos problemas, e qual seria a melhor alternativa para reverter aquele processo entrópico.
Sem jamais esquecer que, seja qual for a causa, o remédio básico para a entropia é: Maximizar as energias positivas. Isto foi bem apreendido por mim ao longo de vários anos de faculdade, pós graduação e participação em diversos outros cursos da área de administração, além de palestras e muita leitura de livros técnicos, tudo aliado a pesquisas, inclusive na internet.Tendo adquirido experiências válidas, tanto pelo sucesso obtido, mas também pelos fracassos sofridos, eu sabia que apenas maximizar as energias positivas não seria o bastante. Eu teria que ir além, iria tentar também, minimizar até perto da neutralização as energias negativas. Algumas vezes, a figura de uma eminência parda traz sérios estragos a uma organização, colaboradores desestimulados, falta ou erro de foco, também deveriam ser avaliados. Eu mal podia esperar o resultado dos exames preliminares, as radiografias.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O processo entrópic nas empresas - um crônica da medicina empresarial - parte 1

“O processo entrópico nas empresas” – uma crônica da medicina empresarial
Parte 1
Passava das 4:00hs da manhã, o plantão deveria terminar logo mais.
No momento em que me preparava para recostar no sofá e relaxar um pouco, ouvi pelo inter comunicador a recepcionista gritar: “Atenção: paciente em estado grave dando entrada na sala de cirurgia”. Não pensei duas vezes, me levantei, apertei a gravata e me dirigi para a sala.
No meio do caminho uma enfermeira veio ao meu encontro com as informações sobre o paciente:
Era uma empresa jovem ainda, menos de 3 anos de existência, estava perdendo muitos recursos financeiros, alguns órgãos apresentavam sinais de colapso. A área de compras tinha diminuído o volume de compras. A área de vendas tinha sofrido algumas baixas, um supervisor de vendas havia se demitido. A notícia boa era que a empresa ainda tinha algumas reservas, tanto de matérias primas quanto financeiras.
Entrei na sala de cirurgia, ao constatar aquela empresa tão jovem, ali, implorando por ajuda.
Eu não poderia fazer muita coisa naquele momento, tinha que estancar a perda de recursos financeiros, mas instintivamente, sabia que alguns exames seriam necessários. Mesmo sabendo que a entropia acomete 100% das organizações, aquela jovem empresa apresentava sinais de entropia avançada. Era preciso descobrir o que aconteceu, como uma empresa tão jovem e vigorosa poderia apresentar sinais tão adiantados.
Eu e minha equipe fizemos o que era possível naquele momento, mas era necessário se aprofundar mais na investigação, precisaríamos de uma raio-x para começar, e depois, se necessário, pedir mais alguns exames.
Após receitar um novo produto e uma nova roupagem para os produtos já em linha, além da contratação de um novo supervisor de vendas, um que gostasse muito de vendas, ainda que com pouca experiência, mas que acima de tudo, goste da empresa e de vender, entendi que poderia ir para casa e descansar adequadamente, parte do problema estava resolvido, mas seria preciso muito mais para salvar aquela jovem empresa.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O processo entrópico nas empresas

A entropia decorre de uma lei natural, em que todas as formas de organização caminham para a desorganização e morte. Se entendermos que uma empresa é uma forma de organização, logo, esta caminhará naturalmente para a desorganização e morte. As empresas precisam perpetuar, aumentar ou no mínimo manter a sua capacidade de gerar riquezas. As informações são geradas cada vêz mais em maior número, gênero e gráu. As pessoas recebem uma nova informação, juntam às que já possuem e criam uma outra informação. As empresas foram criadas por pessoas para pessoas. As informações são criadas por pessoas para pessoas. Quando a informação sofre uma mudança de qualidade dentro de uma oganização, esta sofre uma mudança. Se a mudança de qualidade da informação em uma organização for negativa, tem-se aí o processo entrópico afirmativo. A geração da entropia negativa deve ser obtida através da geração, captação, transformação, distribuição e retro-alimentação da informação de qualidade positiva. Uma das ferramentas de geração da entropia negativa é o Planejamento, seja Estratégico, Tático ou Operacional, melhor ainda, a utilização dos tres tipos. Outra ferramenta, o investimento nas satisfações pessoais dos clientes, objeto da existência das empresas. E finalmente, não será possível a utilização adequada das ferramentas anteriores, se não existir colaboradores adequadamente comprometidos e satisfeitos pessoal e profissionalmente.