O autoritarismo, a autoridade e a liderança:
- Autoridade como Poder Legítimo
De acordo com Norberto Bobbio, filósofo e historiador (1909-2004), a segunda e mais comum definição de Autoridade considera que nem todo o poder estabilizado é Autoridade, mas somente aquele em que a disposição de obedecer de forma incondicional se baseia na crença da legitimidade do poder. Ou seja, o poder da Autoridade é considerado legitimo por parte dos indivíduos ou grupos que participam da mesma relação de poder. Sob esta ótica, a Autoridade tem o direito de mandar e os subordinados o dever de cumprir com as diretrizes proferidas pela Autoridade, portanto, na Autoridade é a aceitação do poder como legítimo que produz a atitude mais ou menos estável no tempo para a obediência incondicional às diretrizes que provêm de uma determinada fonte.
Obediência torna-se durável mas não permanente pois de tempos em tempos a legitimidade do poder desta autoridade sofre a necessidade de ser reafirmada.
A exacerbação da Autoridade cria os Autoritários. A pessoa que manda, deve construir a sua autoridade durante o tempo que está a frente de um grupo ou exercendo um cargo que lhe permite ter pessoas subordinadas, para que possa vir a ser referência para os outros, pelo seu modo de ser e de agir. O abuso de autoridade acontece quando alguém, com poder de mando, faz uso de critérios particulares para fazer valer a sua vontade.
O autoritarismo, prática do autoritarista, surge quando o caos, a desorganização se instala, pois, apenas em um ambiente de desorientação de um grupo de indivíduos é propício ao surgimento de tal personalidade. Diante de uma autoridade fraca, inepta, ou mesmo pela ausência de autoridade, se inicia o caos, a desorientação, que não encontrando líderes natos e legítimos, permitirá a instalação do autoritarismo.
As pessoas precisam se sentir seguras, motivadas, reconhecidas em suas singularidades e de razoável conforto. Um grupo de pessoas irá alimentar estes anseios e acrescentará o sentido de união, onde o indivíduo é importante, mas o grupo não pode ser esquecido.
A liderança só pode surgir dentre um grupo que tenha singularidades, pessoas afins, com os mesmos objetivos, mesmas obrigações, mesmos anseios. O líder surgira por suas ações, suas convicções e suas atitudes. A ação organizada e lógica, aceita pelo grupo, ou pela maioria dos indivíduos do grupo, fará com que o indivíduo seja visto e aceito como líder. Se tornará líder aquele que, além de compartilhar os mesmos sentimentos, parta para a ação, sem ação não há liderança, não haverá líder, apenas conselheiro.
A liderança não é uma aptidão nata, pode ser desenvolvida e aperfeiçoada, mas jamais sem uma forte e controlada dose de empatia.
Um autoritarista poderá ter autoridade notória, mas, poderá também, ser aquele que deseja ser autoridade, poderá ter sido um líder, não mais o é e não mais o será.
Uma autoridade pode ter sido um líder, pode se tornar um autoritarista (o que é ruim) ou poderá vir a se tornar um líder (o que é bom).
O verdadeiro líder não pode ser autoritário, mas pode ser uma autoridade.
O líder não precisa ser autoridade, mas a autoridade precisa ser líder, se não o for, uma aliança bem sucedida trará enormes benefícios para todo o grupo e todos os grupos de dependência comum.
“O forte rei faz forte a fraca gente”. Luiz Vaz de Camões.
Por Carlos R. Gomes
janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
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