“O processo entrópico nas empresas” – uma crônica da medicina empresarial
Parte 1
Passava das 4:00hs da manhã, o plantão deveria terminar logo mais.
No momento em que me preparava para recostar no sofá e relaxar um pouco, ouvi pelo inter comunicador a recepcionista gritar: “Atenção: paciente em estado grave dando entrada na sala de cirurgia”. Não pensei duas vezes, me levantei, apertei a gravata e me dirigi para a sala.
No meio do caminho uma enfermeira veio ao meu encontro com as informações sobre o paciente:
Era uma empresa jovem ainda, menos de 3 anos de existência, estava perdendo muitos recursos financeiros, alguns órgãos apresentavam sinais de colapso. A área de compras tinha diminuído o volume de compras. A área de vendas tinha sofrido algumas baixas, um supervisor de vendas havia se demitido. A notícia boa era que a empresa ainda tinha algumas reservas, tanto de matérias primas quanto financeiras.
Entrei na sala de cirurgia, ao constatar aquela empresa tão jovem, ali, implorando por ajuda.
Eu não poderia fazer muita coisa naquele momento, tinha que estancar a perda de recursos financeiros, mas instintivamente, sabia que alguns exames seriam necessários. Mesmo sabendo que a entropia acomete 100% das organizações, aquela jovem empresa apresentava sinais de entropia avançada. Era preciso descobrir o que aconteceu, como uma empresa tão jovem e vigorosa poderia apresentar sinais tão adiantados.
Eu e minha equipe fizemos o que era possível naquele momento, mas era necessário se aprofundar mais na investigação, precisaríamos de uma raio-x para começar, e depois, se necessário, pedir mais alguns exames.
Após receitar um novo produto e uma nova roupagem para os produtos já em linha, além da contratação de um novo supervisor de vendas, um que gostasse muito de vendas, ainda que com pouca experiência, mas que acima de tudo, goste da empresa e de vender, entendi que poderia ir para casa e descansar adequadamente, parte do problema estava resolvido, mas seria preciso muito mais para salvar aquela jovem empresa.
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