segunda-feira, 13 de julho de 2009

O processo entrópico nas empresas - uma crônica da medicina empresarial - 4a. parte

Parte 4
Estava combinado com os donos da empresa que minha visita poderia durar o dia todo. Eu tentaria levantar o maior número possível de informações que pudessem me mostrar qual ou quais eram os problemas daquela jovem empresa. Eu não poderia ter pressa, mesmo sob pressão, eu deveria levantar todas as informações relevantes, antes de dar um diagnóstico e receitar um remédio, que com toda a certeza, não seria doce nem de baixo custo, pois remédio algum, independente do seu preço, tem um baixo custo.
Iríamos começar, obviamente, pela entrevista com os proprietários. Eu já possuía um questionário mental, mas deveria tomar cuidado. Deixar que eles falassem mais do que eu, se possível, um de cada vez, e depois todos juntos. Isso serve para evidenciar se há desentendimentos entre os sócios, o quão estão coesos, bem como, o quão cada um conhece a própria empresa.
Conversei com cada um em separado, fiz alguns levantamentos, a radiografia estava pronta. Algumas de minhas suspeitas tinham se confirmado, mas era preciso seguir com os exames, não deixar nada de fora. Não correr o risco de atacar um mal central, e esquecer ou deixar de lado, desconsiderar o mal periférico, que como um câncer instalado, tende a progredir, em aceleração constante. Existia até mesmo a possibilidade de o mal central, ter desencadeado por todo o restante do corpo seus malefícios, afinal, todos os funcionários são atentos ao que acontece na alta administração, muitos poderiam ter se contaminado. Eu tinha que me certificar.
O passo seguinte era conversar com todos juntos, fazer mais algumas perguntas, repetir outras, e ouvir, ouvir atentamente, inclusive, fazer a leitura da linguagem não verbal, muito importante, algumas vezes, mais importante que a linguagem verbal.
Passados mais de trinta minutos naquela conversa, se é que após os primeiros cinco minutos continuou como conversa, os ânimos estavam exaltados. Sugeri uma pausa para um café, o que todos concordaram. Era bastante útil aquela pausa, permitiria a todos entender o que estava acontecendo, refletir melhor sobre seu ponto de vista e avaliar as opiniões contrárias. Eu sabia exatamente o que fazer.
Desnecessário dizer que aquela pausa, que deveria ser breve, durou mais de quinze minutos. Posso dizer com certeza que não demorou, levou o tempo necessário para a retomada das conversas.
Pude prever que entre três sócios, quais voltariam da pausa juntos, mais unidos, e com uma decisão em mente. A mim competia rapidamente avaliar as possibilidades e prever seus reflexos. Se a empresa, após aquela reunião, estaria fortalecida, mais enfraquecida, ou pronta para uma dissolução, o que não seria bom para ninguém. Não havia como ser diferente, eu já estava envolvido totalmente com aquela jovem empresa. Foi quando me lembrei de um dos meus princípios: “A empresa é mais importante que seus proprietários, e até mesmo, que seus colaboradores. Se a empresa for bem, os sócios irão bem, os funcionários irão bem.”

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